Eu sempre amei esta casa justamente pelas árvores frutíferas que ficam no quintal com terra. Este foi o gosto do meu pai. Ali até horta ele cultivou e criou galinhas. As que ele pacientemente ajudou a nascerem.
Mecânico, dos melhores, construiu uma chocadeira e dali surgiram muitos pintainhos, todos amarelinhos. Um dia vi-me rodeada por todos eles sentada no chão. Seu gosto pela terra fez com que plantasse naquele quintal vários pés de frutas.
Passados alguns anos, ele plantou um pé de caqui. Ele cresceu devagarinho e por mais ou menos 5 anos ficou ali quase solitário.
Case-me, tive duas filhas, a Gio e a Tati, e o caqui ali ainda solitário, mas regado sempre pelo meu pai.
Em um dia qualquer uma ideia de avô surgiu. Em um dos galhos ele pendurou uma corda e embaixo uma pequena tábua e já estava pronto o balanço. Ele foi a alegria verdadeira das minhas filhas e de todos os netos que às vezes vinham ao quintal de terra.
Mas, como tudo passa, meu pai veio a falecer e elas já com 9 e 7 anos, em idade escolar, foram esquecendo do velho balanço. Um dia, eu indo àquele quintal me deparei com a cordinha do balanço já pequena e apodrecida pendurada solitária, no mesmo galho, um pouquinho mais alto.
E o caqui cresceu, solitário, mas vivendo!
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