segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A árvore dos passarinhos

Lá pelo mês de setembro, a chuva cai no meu quintal.
Dentro de casa, ouço a voz da chuva, como ela cai e escorre pela janela, ainda de madeira, tipo veneziana, é mansa.
Sem trovões, mas forte. Demora para passar. 
Quando pára posso ir até o meu quintal. As folhas das árvores brilham muito, ainda com as gotas de chuva que ali estão e que pingam aos poucos pelos troncos das árvores ali existentes e para o chão de terra e de cimento. Cada pedaço exala um cheiro característico.
Tenho algumas flores nesse quintal, mas estão em vasos comprados no supermercado. Mesmo assim dão um colorido bem vivo no espaço tão verde.
Com a trégua da chuva posso sair de casa. Vou ao quintal. Passa do meio-dia, pego a velha cadeira, repintada várias vezes, por mim, porque é de ferro e a mesma que meu pai, o senhor de cá, usava para sentar-se na calçada. A almofada é outra. Sento-me no espaço cimentado ao redor da laranjeira.
A vida desperta na laranjeira e na jabuticabeira.
O silêncio é quebrado pelos tímidos gorjeios que vêm dos galhos, os mais altos.
São as ninhadas de passarinhos que pedem a comida trazida nos bicos. É um vai e vem de vôos, gorjeios e cantos. Parecem felizes, nem se preocupam com a minha presença.
Outros pássaros aparecem e cantam: sabiá, bem-te-vi e pica-pau.
Girando pelo quintal cuidadosamente algumas abelhas e borboletas aparece mas logo vão para longe, instintivamente.
Por algumas horas fico ali me deliciando com essa vida que a natureza pode nos oferecer.
Depois de muita festa, muita conversa, aos poucos esse alvoroço vai se ajeitando. É o final da tarde. Quase noite. É o crepúsculo e timidamente uma estrela aparece no céu, ainda com pouca luz e todos dormem.


Foto: Acervo Pessoal

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