Príncipes, princesas e até Papai Noel, e alguns bichinhos povoavam seus desenhos cheios de sonhos.
Aí, com 17 anos recebeu um desafio. Fazer um Papai Noel de gesso.
Ele precisava ser bem grande para ficar exposto na frente das Lojas Americanas, que contratou o desafio.
Todas as tardes depois da escola, o Papai Noel foi sendo erguido, nos fundos da oficina de geladeiras. O servente da escola, o inesquecível Sr. Miguel, ajudava a mocinha a realizar este sonho.
Feito com gesso, panos e arame ganhou volume e altura. No rosto expressivo, barba, bigode e cabelo brancos. Sobre a cabeça um gorro típico: tudo em gesso. Ali mesmo recebeu a pintura. Botas e cintos pretos. Roupa vermelha com detalhes em branco. Enorme!
Ficou lindo e era impressionante na altura. Maior que a porta da oficina. Mesmo assim muito bem montado ele se mantinha firme, em pé, no chão.
Nem parecia que os dois fizeram aquela obra com as próprias mãos.
Chegou o dia da entrega. Surpresa!
O Papai Noel era tão grande que não passava pela porta da oficina. Solução: Quebraram as pernas e colocaram aquele enorme Papai Noel, sentado.
Foi exposto na frente da loja. Era final de ano, vésperas de Natal, uma multidão na praça XV rodeava-o.
A mocinha envergonhada não foi lá ver sua obra e de seu ajudante.
O ganho foi pouco. O Sr. Miguel saiu da escola (não foi possível encontrá-lo mais), a única notícia era que havia ficado doente e não voltou mais para a escola.
A mocinha terminou seus estudos, mas a fantasia da existência do Papai Noel permaneceu e foi passada aos seus alunos em todo o final de ano. Os pequeninos realizavam trabalhos com símbolos do Natal e, acreditando ou não, ficavam muito felizes com essa fantasia. Ah, se fosse verdade...
Mais ou menos 10 anos depois, o segundo desafio.
Foi escolhida para ilustrar um livro.
Todos os desenhos foram feitos com lápis preto nº1 e sobre papel sulfite. A capa muito colorida era rica em detalhes.
A autora, Lucília Junqueira de Almeida Prado, ganhou o prêmio Governador do Estado de São Paulo.
O livro, Lili do Rio Roncador, é a história de três pintainhas, Lalá, Lelé e Lili.
Eram novas, autora e ilustradora, a diferença de idade parecia muita.
Hoje é pouca e talvez, como um dia lhe escrevi "Sempre haverá tempo para nos reencontrarmos"
Grupo Editorial Record

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